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FAACZ promove Semana da Mulher com debates sobre saúde, gênero e protagonismo feminino

Curso de Psicologia promoveu Semana da Mulher com debates sobre saúde integral, violência de gênero e os desafios femininos contemporâneos. Fotos: Alessandro Bitti.

Entre os dias 23 e 25 de março de 2026, o curso de Psicologia das Faculdades Integradas de Aracruz (FAACZ) realizou a Semana da Mulher no bloco “B” da instituição, reunindo, no auditório e em salas de aula, estudantes, egressas e profissionais em debates sobre saúde integral, violência de gênero, subjetividades e os desafios contemporâneos enfrentados pelas mulheres.

O evento foi coordenado pela professora Danielle Guss Andrade, que organizou a programação juntamente com as alunas Antonella Del Piero Spinasse (3º período), Evelyn de Souza Portela (7º período), Gabrielly Herlane Pereira dos Santos (3º período) e as egressas Eduarda Mattiuzzi Selvatici, Maria Eduarda Marins Pereira, Iandra Garozi Fraga e Karen Silva Rosa.

A edição de 2026 teve como eixo central “Subjetividades e Transversalidades: Diálogos Críticos sobre o Ser Mulher e a Saúde Mental”, abordando como estruturas sociais, culturais e históricas moldam a vida das mulheres e influenciam diretamente seu bem-estar emocional.

Dia 23/03 – Abertura e debate “Machismo e Masculinidades”

A diretora acadêmica da FAACZ, professora Adriana Recla Sarcinelli, abriu oficialmente o evento com uma reflexão contundente sobre o cenário atual. Em sua fala, destacou que a educação tem papel decisivo no enfrentamento das violências: “Naturalizar práticas discursivas violentas tem sido muito comum na sociedade. Se não desvelarmos o que está por trás desses discursos considerados ‘normais’, acabamos perpetuando silenciosamente essas violências”, afirmou.

Diretora acadêmica da FAACZ, prof.ª Adriana Recla Sarcinelli alertou: naturalizar discursos violentos perpetua silenciosamente essas violências.

Durante a abertura, houve também um momento musical com a estudante do 7º período do curso de Psicologia, Maria Luíza Soares Chaves, que se apresenta artisticamente como Luíza Chaves (@vozdeluiza). Sua interpretação emocionou o público e marcou o início das atividades.

A estudante de Psicologia Luíza Chaves (@vozdeluiza) emocionou o público com sua interpretação musical na abertura do evento.

Em seguida, foram apresentados trabalhos acadêmicos de alunas e egressas, incluindo pesquisas de Karen Silva Rosa e Iandra Garozi Fraga sobre estética da mulher negra e um estudo da aluna Juliana Pereira Guimarães (5º período) sobre saúde mental de universitárias.

A mesa da noite discutiu o tema “Machismo e Masculinidades”, com participação da delegada Amanda da Silva Barbosa, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Aracruz, do coordenador do curso de Direito, professor Ronaldo Félix, e da coordenadora do curso de Psicologia, professora Stéfani Martins Pereira.

Professora Stéfani Martins alertou: violência contra a mulher começa na formação de conceitos que legitimam privilégios e silenciamentos.

Stéfani provocou o público a refletir sobre os impactos da construção social das masculinidades: “Para proteger a vida da mulher, precisamos falar sobre masculinidade. A violência não começa no ato extremo, mas na formação dos primeiros conceitos que legitimam privilégios e silenciamentos”, destacou. Ela reforçou que a violência de gênero se tornou uma “epidemia” no país e citou dados do Atlas da Violência 2025, lembrando que o Brasil registrou 1.470 feminicídios, sendo 35 no Espírito Santo.

A delegada Amanda trouxe relatos marcados pela emoção: “É normalizado o controle excessivo. Muitas mulheres só percebem que estão em um relacionamento violento quando já estão profundamente fragilizadas. Não existe mulher que ‘gosta de apanhar’; existe mulher tão esgotada que não consegue se ver para além daquele relacionamento”, afirmou. Ela também criticou a tendência de responsabilizar a vítima: “Nunca é culpa do agressor. A culpa é sempre da mulher violada”.

Delegada Amanda Barbosa denunciou: “Nunca é culpa do agressor. A culpa é sempre da mulher violada”, e lembrou que o controle excessivo é normalizado nas relações.

O professor Ronaldo Félix ampliou o debate com uma análise estrutural: “O patriarcado não é um comportamento individual. É um hábito institucionalizado. O sistema penal é seletivo e ainda define quem merece ser visto como vítima. Formar profissionais críticos é fundamental para mudar essa lógica”, afirmou. O docente lembrou que respostas simplistas, como aumentar penas, não reduzem a violência: “Se a repressão fosse suficiente, não teríamos números tão alarmantes. Precisamos de políticas públicas que atuem nas raízes do problema”.

Dia 24/03 – “Saúde da Mulher” e políticas de cuidado

O segundo dia trouxe a mesa-redonda “Saúde da Mulher”, mediada pelo professor Eduardo Hubner, que reforçou a importância do debate: “Falar sobre a saúde da mulher é tratar de uma urgência social. Vivemos em um cenário em que a violência e a desigualdade de gênero ainda atravessam o cotidiano. Discutir esses temas na faculdade é fundamental para formar profissionais capazes de enfrentar essa realidade com responsabilidade e sensibilidade”.

Prof.ª Sabrina Batista (Enfermagem): “Há homens que impedem mulheres de fazer exames. Elas precisam conhecer seus direitos e autonomia”.

A professora Sabrina Maria Batista do Nascimento, coordenadora do curso de Enfermagem, abordou sua experiência de mais de duas décadas na assistência à saúde da mulher: “Essa mulher cuida de tudo – casa, filhos, trabalho – e muitas vezes deixa de se cuidar. Ainda existem homens que impedem que suas companheiras façam preventivo, mamografia ou planejamento familiar. Precisamos ampliar a informação para que as mulheres conheçam seus direitos e sua autonomia sobre o próprio corpo”.

Palestrante Luana Tomaz: “Dependência emocional e culpa impostas pelo agressor aprisionam vítimas de violência na gestação”.

Luana Tomaz Freitas Garcia, administradora e palestrante, destacou a gravidade da violência psicológica, especialmente durante a gestação: “Muitas mulheres são traídas, abandonadas ou violentadas nesse período. Isso não é exceção. A dependência emocional e a culpa impostas pelo agressor aprisionam muitas vítimas”, afirmou. Ela também reforçou a relevância da Lei Maria da Penha, que ampliou a compreensão sobre diferentes formas de violência, incluindo a moral e a psicológica.

Dia 25/03 – Grupos de Trabalho e encerramento artístico

O último dia da Semana da Mulher foi marcado por diferentes Grupos de Trabalho (GTs), conduzidos por alunas de diversos períodos, que promoveram espaços de diálogo, acolhimento e troca de experiências. Cada GT contou com um(a) professor(a) de referência ou uma egressa, que apoiavam o processo, mas quem liderou efetivamente as discussões foram as estudantes. Os temas debatidos incluíram arte e experimentação com mulheres (prof.ª Jallana Rios Matos), vivências acadêmicas femininas (egressa Maria Eduarda Marins Pereira), maternidade universitária (prof.ª Juliana Monteiro Gomes de Oliveira Ferreira), acolhimento de mulheres em situação de violência (prof.ª Stéfani Martins) e relações de trabalho envolvendo mulheres (prof. Eduardo Hubner).

Estudantes lideraram os Grupos de Trabalho da Semana da Mulher, debatendo maternidade, violência e relações de trabalho com apoio de professores.

As participantes destacaram a importância dos encontros como espaços de escuta ativa e construção coletiva, ressaltando como cada debate ampliou percepções e possibilitou novas reflexões sobre o papel da mulher na sociedade. Muitas enfatizaram que momentos como esse fortalecem vínculos, acolhem vivências diversas e promovem um ambiente seguro para o diálogo. O encerramento contou com uma intervenção musical que reforçou a potência da arte como expressão e resistência, trazendo sensibilidade ao tema e marcando simbolicamente a necessidade de continuidade dessas discussões no ambiente acadêmico.

Vozes que constroem o percurso

As egressas do curso de Psicologia ressaltaram a importância de retornar à FAACZ e contribuir com o debate. Eduarda Mattiuzzi Selvatici declarou: “Foi muito importante. Questionar e se implicar é sempre desafiador, mas percebi que conseguimos tocar nos temas difíceis. Ter homens na sala escutando fez muita diferença”.

Participantes celebraram a escuta ativa e a construção coletiva dos encontros. A música marcou o encerramento como expressão de resistência.

Karen Silva Rosa afirmou: “Foi muito significativo. Enfrentei minha timidez e falei para um auditório cheio. Vou levar esse momento comigo”. Maria Eduarda Marins Pereira destacou: “Foi muito importante ocupar esse espaço. Fico feliz em participar do comitê e fortalecer esse debate”. Gabrielly Herlane Pereira dos Santos, estudante do 3º período de Psicologia, acrescentou: “Conseguimos dialogar sobre temas importantes a partir das nossas vivências. Foi um momento marcante”.

Um encontro necessário

A professora Danielle Guss Andrade, organizadora da Semana da Mulher, reforçou o propósito do encontro: “Este evento nasceu da urgência. Vivemos um tempo brutal, em que mulheres seguem morrendo por violências que tentamos combater todos os dias. Criamos este comitê para pensar juntas e conseguimos construir um espaço potente de reflexão, acolhimento e formação política. Queremos que nossos estudantes – homens e mulheres – se impliquem ativamente na transformação da realidade”.

Uma semana que deixa marcas

Semana da Mulher da FAACZ reforçou protagonismo feminino e se consolidou como marco anual de defesa dos direitos das mulheres.

A Semana da Mulher do curso de Psicologia da FAACZ reafirmou o compromisso institucional com uma formação crítica e humanizada, integrando Ensino, Pesquisa e Responsabilidade Social. Os três dias de atividades fortaleceram o protagonismo feminino, ampliaram espaços de fala e consolidaram um ambiente de diálogo capaz de formar profissionais atentos às desigualdades estruturais que atravessam a vida das mulheres. A iniciativa segue como marco anual no calendário da instituição, inspirando novas ações de conscientização e defesa dos direitos das mulheres na comunidade acadêmica e na sociedade.

Texto: Alessandro Bitti
E-mail: comunicacao@fsjb.edu.br
alessandro@fsjb.edu.br

Data da publicação: 08/04/2026

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